O que mais nos perguntam.
Sobre o sistema, as escolhas técnicas e o processo.
Sobre o sistema
Como vocês definiram os pesos do score?
A base é a mesma para toda pessoa detectada (35 pontos); o que diferencia é a evidência. A identidade é a mais forte: pessoa cadastrada vale 0,3 e não cadastrada 1,5 — ser reconhecido pela câmera diz muito mais do que qualquer sensor concordando com outro. Os fatores de horário vieram da rotina real do campus, incluindo as aulas noturnas até as 23h. Os limiares do reconhecimento facial foram calibrados com o vídeo da própria câmera da sala.
Como vocês reduzem o falso alarme?
De quatro formas. Identidade: quem é cadastrado não vira intruso fora de hora. Contexto: em aula e em evento autorizado nada escala por repetição ou quantidade — o campus é cheio de gente. Paciência na dúvida: no fundo da sala o rosto fica "meio parecido"; em vez de alarmar em 1 segundo, o sistema espera até 8 por uma amostra melhor, enquanto um intruso de verdade cai em "estranho" e é pego em menos de 1. Cadeira não é gente: uma caixa do detector só vira pessoa depois de provar — rosto, movimento, sinal de vida ou continuidade — então mochila, casaco e sombra ficam invisíveis.
O que é o modo evento?
Fim de semana, feriado ou fora do horário de aula às vezes têm feira, vestibular ou palestra. Sem o modo evento, cada visitante não cadastrado viraria alerta falso. O operador liga no painel, com nome e horário de fim, e até lá o sistema opera exatamente como num dia de aula normal: pessoa não cadastrada vira só atenção (amarelo). Ele desliga sozinho no fim, nunca vale na madrugada (prédio fechado continua fechado), não pode ser ligado em aula e avisa no Telegram quando liga e quando desliga.
O sistema "prevê" o crime?
Não prevê — ele age nos sinais que antecedem o dano. Todo furto começa com alguém onde não deveria estar. O sistema sabe quem está na sala e que horas são, e reage a essa combinação enquanto ainda dá tempo de agir, em vez de registrar o incidente depois de consumado.
Por que não fica mandando alerta toda hora?
Só os níveis LARANJA e VERMELHO geram mensagem no Telegram, e o mesmo nível não se repete por cinco minutos. A mesma pessoa não cadastrada que sai e volta é reidentificada, sem fotos repetidas nem alertas em dobro. Alerta que vira ruído é ignorado — o nosso foi desenhado para continuar sendo levado a sério.
O assistente de IA é um chatbot qualquer?
Não. A cada pergunta ele recebe o estado completo do sistema — nível e o motivo (a conta do score), quem está na sala, presenças, avistamentos, alertas, grade da sala e modo — e as últimas mensagens da conversa. É instruído a responder só com base nesses dados e a dizer quando o dado não existe, em vez de inventar. Como a IABox não tem internet, a pergunta vai ao Gemini pela ponte do notebook e volta em cerca de 1 segundo.
Quão rápido é o reconhecimento?
Uma pessoa cadastrada, de frente para a câmera, é reconhecida em 1 a 3 segundos; de lado ou no fundo da sala leva mais, porque o sistema junta amostras até ter certeza. Tudo foi medido com o vídeo da câmera real: pessoa cadastrada reconhecida em 8 de 8 entradas, intruso aceito como cadastrado em 0 de 16. O detector de rosto pesado só roda quando o leve não acha o rosto, para a IABox não perder ritmo com várias pessoas na cena.
Privacidade e dados
E a LGPD, com reconhecimento facial?
O rosto vira um vetor de 512 números no cadastro — nenhuma imagem de rosto fica guardada. O processamento é local, na IABox, sem internet: nenhuma imagem sai do campus. A foto de uma pessoa não reconhecida existe para um humano validar e é apagada no fim de cada sessão. E nada é decidido só pela IA: o operador valida cada caso no painel. Isso foi decidido na arquitetura, não adaptado depois.
Idade e gênero entram no risco?
Nunca. São estimativas aparentes, em faixas de 10 anos, usadas para a estatística de ocupação do campus — e podem errar. O motor de score só olha quem é (cadastrado ou não), quando e quantos. Isso é uma regra do código, não uma configuração.
O assistente de IA manda dados para fora?
A consulta ao Gemini é a única chamada externa, feita pelo notebook da ponte, e leva apenas dados agregados: nível, contagens, horários e os nomes de quem está cadastrado e presente. Nenhuma imagem.
Processo e escolhas técnicas
Por que tudo roda na FIAP IABox?
Porque é o que a solução precisa ser no mundo real: um equipamento de borda dentro da sala, sem depender de internet nem de nuvem. A IABox (processador Snapdragon) roda a visão computacional, o reconhecimento, o motor de score, o banco e o painel num único processo. Para caber nela, cada modelo foi escolhido pelo custo: YOLOv8n, detectores de rosto em cascata, ArcFace leve, idade e gênero numa thread que espera o reconhecimento terminar.
Por que Telegram e não WhatsApp?
Telegram tem API oficial de bots, documentada e estável, e aceita foto na mensagem. A integração com WhatsApp depende de soluções não oficiais, com risco de bloqueio do número. A lógica de quando alertar é a mesma — trocar o canal é trocar uma função.
Isso escala?
Cada sala é uma IABox com uma câmera, independente. Acrescentar uma sala é acrescentar um equipamento; a lógica de decisão não muda. O cadastro de pessoas pode ser compartilhado, e o painel de cada sala serve o seu próprio relatório do dia (HTML e CSV).
De onde vem a grade de horários?
Hoje ela é preenchida num arquivo, no mesmo formato que uma integração com o sistema acadêmico preencheria, junto com o calendário de feriados. O mecanismo de leitura e uso está construído; a integração automática é o próximo passo.
